O projeto

Os interessados podem ver a página TEXTOS/TAKES e acompanhar as publicações.

Para comunicar-se de maneira ágil com Felipe Obrer sobre este projeto, é só enviar e-mail para felipeobrer@gmail.com

Para enviar arquivos em áudio (formato mp3 ou wav) ou imagens (vídeo e fotografia), por gentileza usar os e-mails

ilhadamusicailhada@yahoo.com.br ou felipeobrer@yahoo.com.br

A sugestão é que cada grupo ou artista interessado envie duas músicas, priorizando a diversidade e a representatividade da própria produção.

Este projeto está, agora, livre de amarras de prazos, e o espaço segue indefinidamente aberto a participações. A viabilização financeira se dará por meios alternativos aos mecanismos estatais.

Em 8 de Fevereiro às 23:25 publiquei a seguinte postagem:

“Já tenho o ok do Rodrigo Pereira, da editora Garapuvu, que fará a carta de intenções (de publicação) necessária. Pretendo fazer uma investigação jornalística sobre a cena contemporânea da música autoral na Ilha de Santa Catarina e a cadeia produtiva gerada por ela, que merece mais visibilidade no país, até para desnaturalizar a imagem-clichê da Ilha da Magia, praia-glúteos-balada.

A profusão e a consistência de grupos, bandas e músicos autônomos que produzem criações próprias são das coisas mais interessantes que acontecem em Floripa.”

Para ver os comentários suscitados na rede social Facebook, os curiosos podem visitar este link: http://www.facebook.com/obrer/posts/294677017258276

As pessoas interessadas em fazer um testemunho/depoimento relacionado à música na Ilha de Santa Catarina podem comentar na seção CO[R]RELATOS. São bem-vindos produtores, músicos, apreciadores/ouvintes/público, jornalistas, poetas, artistas…

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14 pensamentos sobre “O projeto

  1. Felipe Obrer disse:

    As pessoas que tiverem contribuições podem, se quiserem, publicar relatos/depoimentos sobre o que sentem/sabem/saboreiam da música autoral feita na Ilha de Santa Catarina: https://ilhadamusicailhada.wordpress.com/relatos/

  2. milu disse:

    parabéns, felipe! grande ideia, iniciativa pra gente aplaudir e arregaçar as mangas!
    abração!

  3. Sito Lozzi disse:

    Olá Felipe

    Adorei, achei demais, todas as tuas lutas são muito boas, consistentes e decididas que é o mais importante, va en frente que acho um portal sobre as verdades que deben der ditas e as coisas que deben ser feitas aqui´na ilha para todo mundo ser visto com os mesmos olhos independentemente se nasceu aqui ou não, o que vale somos os que lutamos pelo crescimento e evolução da cidade livre de bandeiras e sim em prol do aporte do melhor para Florianópolis.
    Abs.
    Sito

  4. Nuno Nunes disse:

    Felipe, Obrero das artes. Conhecemo-nos das calçadas de festas, nos momentos em que, cansados, sentamos para papear sério sobre rumos, sumos, vida, pelos idos das madrugadas. As vontades de “juntar o povo” para trabalhar a arte sempre foi um sonho comum, mas difícil de conciliar com a vida fugaz da (Erv)Ilha, local onde muitos passam e os que permanecem, escondem-se.

    Musiquei menos do que achei que deveria, mas escrevi mais do que pensei que faria. Minha arte na Ilha é, e sempre foi, literatura musical. Aos passos de Ryana Gabech, geminiana como eu de 29 de maio, aprofundamos na difícil arte de viver da arte. Livrorigami foi uma descoberta – um livreto dobradura que rodou pela Ilha em 2004, com parcerias de Cesar Felix, Rafael Cogo, entre outros poetas. A Saci Edições surgiu neste momento. Uma ING: Indivíduos Não Governamentais.

    Na música compus, violão e voz, escondido também. Agora remixo a arte como DJ. Os eletrônicos e suas prisões e botões, por incrível que pareça, trouxeram-me liberdade de criação.

    Tornar textos em música é meu tesão, minha obra. Um literal estado de busca da Literamúsica. “Música aos sentidos” é um novo projeto. E como tudo que à beira mar se faz, joguei minha rede para ver o que das ondas me apraz.

    Parabéns e obrigado pelo projeto Felipe. Abraços.

  5. Oi Felipe, é realmente importante falar sobre esse assunto, a música autoral no nosso estado sobrevive apesar do descaso das instituições publicas de cultura. espero que a sua pesquisa atravesse a ponte e contemple tambem o oeste, o vale do Itajaí, o sul, enfim, pois lá estão bons compositores, que apesar de não estarem na capital continuam produzindo.

    Fora do circuito ilha acontecem festivais da canção com alguma frequência, o que no Rio Grande do Sul é constante. Enfim não esqueça do Dentinho de Joinville, do Berlan de Criciúma, do Rodrigo Suave de Itajaí, e de tantos outros que não estão na Ilha umbigo.

    Bom trabalho meu amigo!

    • Felipe Obrer disse:

      Raphael, agradeço muito teu comentário.

      E aprecio também tua sugestão de ir além da ilha. Isso já acontece naturalmente, afinal vários dos grupos abordados não se limitam à realidade insular. Mesmo assim esclareço que, pelo tempo exígüo que resta para o texto final acontecer, o universo da Ilha já é bastante amplo, com as pontes que se façam visíveis. Só não seria prudente tomar como cenário o estado inteiro, o que demandaria um tempo bem maior e contatos que ainda não tenho. Mas sem dúvida vou tratar dos circuitos do SESC pelo estado inteiro, do Festival de Itajaí (que afinal dialoga muito com a ilha), de músicos como o baixista Arnou de Melo, que vem semanalmente acompanhar Cássio Moura…

      E além do estado: a própria Fernanda, do Ginga, está com um pé no Rio e outro aqui, pelo que sei. É isso mesmo?

      Por gentileza, se puderes, complementa comentando mais um pouco, sobre teus trabalhos musicais na ilha e fora dela, de onde vens pra onde vais, o Ginga do Mané, os demais grupos de choro, a Velha Guarda da Copa Lord, a Udesc (e o que mais quiseres incluir).

      Abraço (e gracias)!

      • Oi Felipe, acabei perdendo um pouco o foco… mas falando sobre composição em Florianópolis, falando mais especificamente do choro, existem partituras de choros que foram compostos aqui por volta de 1930, creio que existam coisas mais antigas que tenham se perdido.

        Não existem informações precisas sobre a história desse gênero em Florianópolis, muitos músicos que fizeram parte desse movimento ao longo desses anos foram esquecidos, em parte por culpa das famílias que não permitem o acesso às partituras, em parte por culpa do estado por permitir que esse patrimônio histórico se perca.

        O grupo Um Bom Partido foi criado em 1997 com o intuito de pesquisar a linguagem do samba e seus compositores, o grupo produziu um CD com composições próprias e de compositores da ilha. Mais do que a música o grupo preserva a cultura do samba, a comida, a dança, etc.

        Em Florianópolis existe uma produção constante, creio que a ilha sempre teve seus compositores, o que sempre faltou foram iniciativas públicas que fomentem a produção local, como festivais, concursos, editais, etc.

        Falta valorizar o que é daqui, e eu não falo só do boi de mamão, em muitos outros lugares do pais a música local é a preferência do público, aqui não vemos isso, porque os grandes produtores preferem a Ivete Sangalo, o Michel Teló… na Bahia também preferem a Ivete e não o Dazaranha. Existe um mercado inexplorado de compositores, bandas, cantores e instrumentistas, falta investir nesse pessoal, transformá-los na nossa identidade, então finalmente estaremos avançando.

  6. Só espero que, como todos os da nova geração, não esqueçam de citar aqueles que começaram, nos anos 70, o movimento da música autoral na Ilha de Santa Catarina, como o CAPUCHON (Marcio Cesar), ELIANA TAULOIS, A COMUNIDADE (Enio Schlemper), DETO, TUCA & O SOM NOSSO DE CADA DIA, ZUVALDO RIBEIRO, BURN, por exemplo.

    Peço isso para que não divulguem (como muitos pensam e outros alardeiam), que tudo começou nos anos 80 com os maravilhosos Grupo Engenho e Expresso Rural, desprezando aqueles que deram seu sangue na década anterior para que a composição própria explodisse em nossa Ilha nas décadas seguintes. Aliás, várias expressões dos anos 80 adoram se intitular como os primeiros a divulgar a música ilhoa, sacaneando com seus inspiradores!

    • Felipe Obrer disse:

      Marcio Cesar, grato pelo teu comentário. Realmente, ao definir o período cronológico que caberia no subtítulo deste trabalho, que usa o termo “música autoral contermporânea na Ilha de Santa Catarina”, pensei em falar dos últimos 20 a 30 anos, se tanto. Mas vejo que é necessário retroagir ainda mais, já que a história, talvez mais ainda quando é da arte, os movimentos acontecem como as ondas concêntricas originadas pela pedra jogada na água, num eco reformulado, até o choque com a margem e o retorno.

      Ainda no outro dia conversei com o José Nakatani, o Naka, que trabalhou como produtor nos anos 80 e cuidou do som de muitas das bandas notórias por aqui daí em diante, até abandonar a área (hoje se dedica, entre outras coisas, com formação como tecnólogo na área da informática, ao trabalho de consertar computadores).

      Gostaria de contar com um relato mais longo teu, já que pelo visto tens informações que não circulam muito facilmente por aí. É de sumo interesse saber mais sobre essa cena dos anos 1970 para entender melhor o processo. As pessoas que podem falar sobre o que muitos não conhecem estão chegando. E tu és uma delas.

      Um abraço,

      Felipe

      • Valeu, Felipe. Obrigado pela atenção. Estou escrevendo um livro ilustrado com minhas memórias sobre a gênese da musica da Ilha, sem prazo para acabar (espero que antes d’eu passar desta para a outra…), já que, a cada noite, vou acrecentando o que minha memória ainda permite e o que resulta de encontros fortuitos com compositores das décadas de 60 e 70.

        Deixo claro que não é um livro de pesquisas, mesmo resultando em algo parecido, já que são apenas lembranças de minha participação ativa ou passiva no movimento de criação e ou execução musical de Floripa, a partir dos anos 60.

        Acho que, já que voces tomaram esta iniciativa louvável de mexer com a história da composição local, não devem perder a oportunidade de esclarecer que tudo começou no início de 70 (até alí, em Floripa, só Zininho e Luiz Henrique Rosa mostravam suas composições ao grande público) com o advento dos festivais de música na Capital, como 1°s e 2ºs FISC E FUCACA, continuando com os festivais da FURB, para onde nós, manezinhos, corríamos todos os anos para participar.

        Quanto ao Naka, a quem respeito demais, só apareceu efetivamente nos anos 80, trabalhando como técnico de som do Grupo Engenho. Antes dele, todas as bandas qaqui faziam suas próprias equalizações. Assim, Naka pode ser considerado o primeiro técnico de som, especializado, na Ilha.

        Em tempo, procure por Edgar Nascimento no Facebook, que está promovendo um encontro entre músicos catarinenses das décadas de 60 e 70 neste final de mês em Camboriú. Acho que acrescentará muito a tuas pesquisas.

        Finalizo me oferecendo para todos os esclarecimentos possíveis sobre o assunto.

  7. Felipe Coelho disse:

    Obrigado pelo convite Felipe. Fico feliz em fazer parte dessa história que acontece hoje em Florianópolis. É inegável o trabalho de muitos desde os anos 70 e até antes, para incentivar a composição em nossa cidade. Mas também é inegável que vivemos hoje uma forte onda. Um surto de idéias que todas juntas contribuem para chegarmos mais perto da nossa identidade musical. Talvez por a ilha não ser nem o núcleo do samba e do choro no brasil, e nem da música latino americana, ela seja dotada de uma certa abertura, para, sem deixar estas essenciais influências de lado, ainda fazer um caminho próprio. E através desse surto, a identidade de Florianópolis propriamente dita, se torna, cada vez mais clara.

    Pra mim esse é o grande barato da música: é que ela permite que cada ponto do planeta exprima sua identidade, única, assim como uma impressão digital. E quando a música passa a expressar a identidade mais fiel de quem a toca, sua beleza chega ao ponto máximo.

    -Contribuo com a minha trajetória-
    Nasci e cresci em Floripa até os 15 anos. Com pais bem musicados, ouvia LPs toda a infância. Gilberto Gil, Beatles e Ravel eram constantes. Aos 15 fui fazer intercâmbio, que com uma sucessão de bolsas de estudo, virou um mestrado em jazz e arranjo. Concluído aos 23 anos, morava em Atlanta onde tocava na companhia Perla Flamenca, e frequentava um movimento semanal de Gypsy Jazz, do estilo de Django Reinhardt. Tocava semanalmente na Serenata Salsa-Band com 8 músicos latinos, e blues com os Mighty Blue Kings. Não havia foco e as influências eram múltiplas, também tendo passado por um longo período estudando guitarra elétrica. Apesar de uma boa base em uma diversidade de estilos, já entendia que para montar um trabalho era preciso foco, a escolha de um caminho. E ao lado deste entendimento, a questão da identidade musical de Florianópolis (de “casa” como eu pensava na época) sempre me intrigava.

    Tinha boa experiência escrevendo para instrumentos orquestrais, e uma grande apreciação pela música de Guinga e os lados Bs de Jobim. A música desses dois me levava pra casa. Pensava na ilha com um sentimento de saudade chegando às vezes às lágrimas. No ímpeto de expressar-me, esse “foco” que faltava encontrou-se de forma natural, e uma paisagem musical começou a ser criada, arranjada para flauta, clarinete, violoncelo, acordeom, violino e violão. Ao longo de um ano nasceram “Escorreguinga”, “Chá de Boldo”, “Vento Sul”, “Doce Amargura”, “Florianópolis” entre todas as 10 peças que compuseram Raízes Trançadas. O disco foi gravado em 2007 aos 25 anos com o apoio da lei federal, e dois meses depois tocou três vezes em TV nacional pelo programa Manhattan Connection, indicado por Lúcia Guimarães, e abriu as portas pelo edital Elisabete Anderle para a produção de uma próxima paisagem.

    CataVento, que apresenta uma foto de cordilheiras andinas em sua capa (Virgínia Yunes), trazia em seu texto: “celebra a música do mundo, compromissando-se apenas com a beleza do som”. Já de volta a Florianópolis, sem o mesmo sentimento de saudade de casa, o foco passaria a ser esta “abertura” da nossa música, da qual falei no primeiro parágrafo. Tratou-se de uma busca pelo que haveria na liberdade de um compositor, nascido e crescido e residindo em Florianópolis, abrindo a mente descompromissada de quaisquer identidades, para vagar aos ventos. A gestação do ambicioso projeto para quinteto de cordas, flauta, clarone, baixo, bateria e violão, foi também de um ano. Do qual seis meses foram passados no Mediterrâneo. Mais 10 composições foram geradas e ensaiadas. Aparecia um lado mais experimental em “Suite Eletroacústica”, “Plano B”, pinceladas e lapsos ciganos como em “Cartagena” e “Rojo y Amarillo” e uma brasilidade inegável em “Choro Fantasiado” e “Nascente”. Olhava com orgulho a pilha de papéis de grades de arranjo impressas e guardadas, para um total de 20 densas composições registradas nos dois discos. CataVento trouxe o reconhecimento do Prêmio Funarte, que junto ao Circuito SESC, às leis de incentivo estadual e federal e convites por alguns festivais, levaram o grupo a mais 40 teatros pelo país.

    A maior parte do tempo com o instrumento, sempre tem se passado apreciando a linguagem musical do improviso, onde os músicos vivem o desafio de equilibrarem-se simultaneamente entre a total liberdade de expressão e a total fidelidade aos fundamentos musicais. Em casa ou nas gigs, algumas vezes há momentos mágicos de conexão musical espontânea, sozinho ou com outros músicos, por meio destes fundamentos, que são harmonia, ritmo e construção melódica. Acho o ritmo o mais importante. Admiro demais os poucos músicos que possuem a disciplina e inteligência para dominar esses fundamentos de forma a adquirir uma liberdade aparentemente total e ainda musicalmente fiel. Enfim, estes poucos momentos que já experimentei nessa busca pela “liberdade controlada” na qual engatinho, foram a inspiração para a produção de Musadiversa, ao lado de outros grandes músicos. Ainda creio que a elaboração meticulosa e o arranjo são chave na produção de um bom trabalho. Musadiversa atém-se sim às grades escritas e pensadas, porém com melodias muito mais convidativas à espontaneidade. “Ela” proporciona improvisos mais longos do que nos outros discos, além de diálogos abertos, ao vivo, onde, com emoção, vimos nascer motivos melódicos e ritmos que não haviam sido compostos. E pensando exatamente no contínuo questionamento sobre da identidade musical de Florianópolis, para este projeto uniram-se músicos chave que apresentam uma linguagem pessoal, e que desempenham um papel crucial no som da voz dessa cidade. São eles Luiz Zago, Mauro Borghezan, Rafael Calegari e Maycon Souza. O projeto Musadiversa, com poucos meses de vida, é convidado da Maratona Cultural de 2012, recentemente lançou imagens de DVD online, e “tá aí pra nóis vê óh!”

    Creio que devemos compor mais e aproveitar esta onda, alimentada pela ânsia e interesse das pessoas em ver ouvir música de verdade, e pelas oportunidades que têm surgido com a abertura de casas, festivais, editais, projetos e outras formas de proliferar nossas honestas contribuições para a música de Florianópolis.

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